O presidente Lula acaba de indicar o nome de Jorge Messias ao STF na vaga deixada pelo ministro Luis Roberto Barroso. No perfil do novo ministro destacam-se a formação acadêmica, a chefia da Advocacia Geral da União – (AGU) E cargos importantes na atual administração e o fato de ser ele evangélico isso o que merece a reflexão sobre que isso significa nas eleições deste ano e na composição da Corte Suprema.
Na última campanha forças politicas contrárias ao terceiro mandato do presidente Lula afirmaram que as igrejas evangélicas estavam sob ameaça. Do Pr. Silas Malafaia a pastores assembleianos não foram poucas as vozes que promoveram a distorção em relação a setores da esquerda. Isto interferiu para o acirramento da polarização e em posições extremistas.
A indicação de um evangélico ao STF logo que confirmado pelo Congresso faz desmoronar a tendência de se inflamar ânimos e fazer da discussão política algo que impõe o conflito religioso. Em um ano que milhões de brasileiros irão às urnas temas como educação integral, combate ao crime organizado, melhores condições para a aposentaria digna entre outros deveriam ser levados a sério na agenda dos candidatos e da percepção do eleitor, ,mas não é isso que acontece. A discussão de quem é de direita ou de esquerda e seu consequente fundamentalismo não ajuda no debate sensato. O que acirra a agenda política é o radicalismo, o jogo de posições extremistas, que demoniza os adversários e impõem uma visão revanchista.
A indicação de Messias é a prova de que o mérito, o notário saber jurídico e a reputação iliba devem valer mais que a ideologia ou a cartilha partidária. O novo ministro tem preparo, tem condições de atuar de maneira ética e de acordo com os princípios universais abrigados pela cosmovisão cristã. Não será um ministro crente, mas um crente ministro. Que pautou sua vida na educação recebida no seio de uma família evangélica. Julgar o ministro de petista, esquerdista é alimentar o radicalismo que distorce a realidade, afasta conceitos democráticos e demoniza o outro, naquilo que Camus alertava “o inferno são os outros”.
Em três mandatos Lula governou para os brasileiros. As matizes da cultura e da religião revelam a diversidade do pais e não surpreende se na composição das cortes e parlamentos tenhamos nomes que representam esse caldo cultural e religioso do pais. Defender que o pais é laico é entender o ideal republicano. Considerar que as correntes religiosas podem ter seus representantes é isso que importa, mas o erro é querer impor ou sobrepor posicionamentos, restringir o debate democrático pela doutrinação do pensamento único ou crer que tal grupo ou segmento é detentor da verdade.
Até o dia de hoje o atual governo não mandou fechar igrejas. Pelo contrário, sancionou leis que incentivam a realização de eventos com apoio de dinheiro público, isto dentro da transparência e da legalidade. Lula cometeu erro? Sim. Mas é o presidente de todos. “A Bíblia diz que devemos orar pelas autoridades que estão em eminencia. (2 Timóteo, 1 e 2). No pleito deste ano, tanto Lula quando Flávio Bolsonaro vão tentar estabelecer o diálogo com os mais diferentes ministérios evangélicos. Em algumas ocasiões serão recebidos na condição de líderes autênticos pelos pastores e que poderão conduzir o destino do país. Isto acontece porque os evangélicos, como os demais grupos, sejam eles progressistas ou conservadores, pentecostais ou carismáticos, de centro, de direita ou esquerda representam a sociedade brasileira. O que não se admite é a tentativa de induzir a erro o eleitor ao usar fakes news ou quaisquer outros meios para aniquilar reputação, criar hostilidades e insuflar radicalismos. Que o eleitor jugue, observe, analise e escolha de forma independente. É o que se espera.




































