O marketing terá um duro trabalho pela frente na tentativa de tornar aceitável e elegível Kadu Xavier como representante do petismo no RN. É que falta ao ex-secretário aquele pé no chão, aquela leveza que o populismo, na égide de formar candidaturas vitoriosas, sempre soube lapidar sob os auspícios da massa de eleitores. Senão vejamos.
A imagem que Cadu Xavier passa é mais de burguês que um homem dos movimentos sociais. Ele está distante daquele perfil de camarada da ala radical de esquerda. Em parte por ser político de gabinete. Fazer política sem ir às ruas deixa muitos assim. O ar refrigerado tem isso, contribui para o perfil burocrata de plantão e até envencilhar-se disso vai dar trabalho aos profissionais do marketing que vão retocar o perfil do pré-candidato governista. Cadu é um bom nome, sim. Mas esse tempo de gabinete com os afagos de submissos do poder, gente que mais elogia que faz a crítica sincera, deixa o pré-candidato longe da base do partido que é formada pelas comunidades, sindicatos e organizações de classe.
Também a cor vermelha das camisas de marca não ajuda. Quando Cadu circulou em algumas cidades foi nítido o distanciamento dos eleitores. Hoje ele tem perfil de burguês e não de operário. É diferente da governadora Fátima que sabe lidar com situações mesmo em bases eleitorais onde predomina os eleitores de direita. Cadu, o político, precisa suar a camisa, andar nas feiras livres, ao comércio do interior e aos mercados e nas zonas ruais. Precisa se soltar mais, falar com os segmentos da sociedade, precisa ir às igrejas, precisa conhecer de saúde no interior, as escolas da zona rural, um chapéu de vaqueiro não até lhe faz bem. Mas sua presença em mercados públicos, entre gente humilde vai fazer bem. É esse jeito de lidar com as pessoas simples e humildes que o vai aproximar dos eleitores. Confiar em decorar números dos investimentos do governo do estado não resolve, ele tem que vivenciar o dia a dia do potiguar e isto se faz ao andar junto aos eleitores gerando pertenciamento. Hoje, Cadu passa a impressão de que é elite, um jovem de casse média alta e que nunca usou o transporte publico. Isso tem que mudar e de maneira rápida, vez que adversários com Alisson Bezerra já disponta com líderes e com aceitação popular destacável.
Cadu tem dificuldade em lidar com os demais partidos de sustentação do governo e a culpa é do petismo radical. O PT é exclusivista e nessa fase de pré-campanha as negociações para espaço no governo são mínimas. Isto pode trazer problemas para o partido que tem o desafio de chegar ao segundo turno. O que dificulta o petismo é o aparelhamento do estado. Quando os companheiros assumem o poder, encastelam todos os seus apaniguados e as sobras vão para os partidos sem densidade eleitorial. Não é de hoje o PT no RN nunca foi generoso com os demais partidos. O PV e PSOL, para citar apenas dois partidos foram escanteados quando da composição das secretarias no governo estadual. Em outras palavras é o PT é ruim de jogo. E isto pode ser uma das maiores dificuldade de Cadu. Se este chegar ao segundo turno terá que enfrentar essa ala radical e isto pode comprometer todo projeto político.



































