Diante da complexidade da vida, vez por outra, o saber humano oferece resposta. E, talvez, a busca desse sentido, poucos tenham dado sua contribuição como o judeu Victor Frankl. A incongruência do pesadelo dos palestinos na questão de Gaza, torna-se indispensável apreender lições do que significa sobreviver a escassez e o caos e, assim, atenuar o sofrimentos dos inocentes.
Victor Frankl quando ainda jovem foi mandado ao campos de concentração nazista de Auschwits, onde sobreviveu ao improvável e buscou alguma forma de explicação para o sofrimento humano. Para o pai da Logoterapia (abordagem psicoterapêutica que busca a compreensão e a realização do sentido da vida) existir era resistir, diariamente, ao absurdo da violência dos guardas nazistas. Prova de que essa é a força que deriva do humano diante do fracasso das instituições, do genocídio e da guerra. Agora, mais uma vez, no embate entre israelenses e palestinos, o mundo deve voltar seu olhar ao sofrimento imposto, independentemente se estamos do lado de fora ou entre os muros e as cercas que oprimem os mais desvalidos.
Por conseguinte, mesmo que haja uma tendência pro Israel, isto alimentada pela geopolítica americana, nutrida por republicanos e conservadores que há década defendem um pacto tácito de defesa mútua entre Israel e EUA , no entanto, isto não invalida que esse alinhamento ideológico promova a ausência de empatia diante de agressões a direitos universais. Na questão palestina, quer seja na defesa de Israel, (ver os ataques de 7 de outubro de 2023 a Israel, onde uma série de atentados coordenados e conduzidos pelo grupo militante islâmico palestino Hamas, da Faixa de Gaza) mereceu o repúdio da comunidade internacional. Nesse episódio bárbaro houve a devida condenação pela ONU e demais países. Agora, diante da fome imposta aos palestinos vale, mais uma vez, o respeito à vida e a sobrevivência dos inocentes, crianças e idosos; a resistência diante do mal é o que se espera, independentemente de que lado estamos.
Daí que nenhum dos pretextos utilizados por Israel para justificar o assalto a Gaza se mantém de pé ante o massacre massivo e indiscriminado de populações civis ou a perseguição aos refugiados. Na Cisjordânia, onde não há reféns do Hamas, Israel forçou 42000 pessoas a sair de três campos de refugiados, tendo depois destruído as respectivas infraestruturas civis para impedir o seu regresso.
Condenar qualquer forma de violência contra civis é entender que se respeita princípios universais contidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. É, em outras palavras, compreender também que sobreviver a condições impostas aos que promovem a violência, quer para o povo palestino ou israelense, é mais que um ato de bravura: é aceitar que o sentido da vida seja capaz de vencer o vazio existencial, às humilhações e o sofrimento. E se contrapor a qualquer ato que atente contra a dignidade da pessoa humana. Se ao menos isto fosse respeitado teríamos mitigado boa parte do sofrimento imposto e milhares de pessoas numa das regiões mais importantes do planeta.



































