A sociedade parece que perde aos poucos a capacidade de se indignar. Dessa forma, o absurdo é assimilável quando repetido. As situações mais incompreensivas se tornam, pelo hábito, corriqueiras e isto afeta a necessidade de reação urgente. O recorrente quadro a que se expõe diariamente centenas de pessoas nas filas e corredores do Walfredo Gurgel prova que a saúde se deteriora bem a nossa frente.
Os governantes esses que estão na eminência querem não enxergar o óbvio. Querem que o povo esqueça a dura realidade de serviços públicos deficitários e que isto simplesmente faz parte de uma máquina burocratizada e emperrada e que princípios como a eficiência é um sonho equidistante. Jamais houve competência para resolver essa mancha na saúde pública no RN, nem Wilma, Rosalba, Robinson e nem Fátima. Uma sequência de governos que não resolveu a situação de vexame do maior hospital de traumas do RN.
As famílias que já enfrentam o caos de acompanhar um ente em uma marca nos corredores dos hospitais sabem que o Estado falhou e não foi suficiente probo para garantir o mínimo; o acesso a uma saúde que respeite a dignidade da pessoa humana.
Hoje, o estado brasileiro, não é desprovido de recursos para as áreas importantes como saúde pública. A gestão é que apresenta defeitos. Os hospitais federais ou estaduais deveriam ser melhores gerenciados. A universalização da saúde é um tópico que confronta o falho argumento de que os corredores do Walfredo se superlotam porque os municípios falham no atendimento. Ali, pelos anos já passados, a melhor condição no atendimento, o aumento do número de médicos, os equipamentos para o trauma e cirurgias não deveriam ser tratados de forma tão despeitosa. É um acinte à inteligência e eficiência do serviço público.
Quando o estado não cumpre com o elevado dever de oferecer saúde de qualidade, ocorre no RN e em outras partes do país o fenômeno da judicialização. A justiça tenta agir para que a situação de descalabro não
aumente e prejudique mais e mais a população. O MPRN pede no requerimento de cumprimento de sentença que a Justiça adote as providências judiciais necessárias à efetivação da sentença já antes proferida para o esvaziamento dos corredores do hospital. A saga dos pacientes nos corredores é uma penúria e uma mancha que prova a inoperância dos gestores. E a injustiça para os necessitados, é a afronta ao povo, é o desmantelo administrativo. Até quando? É preciso esperar por uma sentença ou comando judicial. Lamentemos. Quem sofre as dores físicas e psicológicas numa marca e num corredor de hospital não aguenta esperar.





































