Acredito que Jeri, sem dúvidas, seja o desejo de muitos turistas que adoram conhecer lugares exóticos, quentes e isolados pelo mundo. E é exatamente isso que ela entrega.
Localizada a cerca de 4 horas da capital cearense, Jericoacoara — mais conhecida como “Jeri” — fica no município de Jijoca de Jericoacoara. Quero relatar aqui um pouco da experiência que vivi e compartilhar com vocês, leitores.
Para chegar até a vila, andamos mais de 11 horas, saindo da capital potiguar até Jijoca de Jericoacoara. A estrada é boa, e quase todo o percurso é feito por pista duplicada. Recomendo pegar a rota mais litorânea, a CE-085, ao entrar no Ceará.
Fui de carro com minha esposa e posso afirmar: foi uma verdadeira aventura, principalmente quando chegamos à comunidade conhecida como “Preá”. A partir dali, inicia-se um trecho de aproximadamente 15 km de estrada de areia de praia, que recomendo fazer apenas se você já tiver prática em trilhas por dunas e areia ou se conhecer bem a região. Guias oferecem o serviço de acompanhamento até a vila, cobrando valores entre R$100 e R$150 — e, sinceramente, acredito que valha a pena pela segurança.
O risco de atolar é enorme. Inclusive, nosso carro atolou, assim como vários outros logo no primeiro trecho da estrada. Chega a parecer proposital, como se o atoleiro estivesse ali para incentivar a contratação dos guias. A dica é simples: ou você contrata o guia, ou seca bem os pneus. Quando atolamos na ida, secamos no “olhômetro” mesmo — e Deus ajudou! Já na volta, o guia deixou os pneus com 17 libras, o que foi suficiente para passar sem atolar.
Então, desde o início, você precisa decidir: arriscar ir sozinho e correr o risco de atolar (lembrando que no percurso passamos por um riacho com uma ponte quebrada) ou já desembolsar, em média, R$120 para pagar um guia.
Na vila, há um estacionamento para carros particulares. Se não me engano, o valor cobrado foi de R$40 a diária. Dentro da vila, apenas veículos autorizados podem circular.
Também pagamos uma taxa para entrar em Jeri, chamada de taxa de preservação ambiental, cobrada por diária. Pagamos tudo no débito, que foi a forma mais prática que encontramos. No entanto, dinheiro e Pix funcionam tranquilamente na maioria dos restaurantes e comércios.
A vila oferece de tudo, apesar de manter um estilo simples e rústico. Prepare-se para usar apenas sandálias rasteiras ou o bom e velho chinelo estilo Havaianas.
Os veículos que transportam os turistas são conhecidos como “jardineiras”, mas buggys também oferecem passeios particulares, com valores entre R$500 e R$700 — preços que achei bem salgados, mesmo para a alta estação. As jardineiras custam, em média, R$100 por pessoa. Então, se você estiver em grupo de duas ou três pessoas, pode valer a pena alugar um buggy e montar sua própria programação, já que as jardineiras balançam bastante e têm paradas fixas.
Os passeios pelo “lado leste” ou “lado oeste” valem muito a pena pelo cenário paradisíaco, mas exigem disposição. Não recomendo para idosos ou crianças pequenas, pois o trajeto é todo em areia, longo e sob um calor que não deixa nem piauiense com inveja.
Durante nossa estadia, houve shows de Zé Neto & Cristiano e Maneva, ambos organizados pela prefeitura local e com entrada gratuita.
Os restaurantes oferecem desde pizzas, crepes e hambúrgueres até pratos regionais com camarão e frutos do mar — embora eu ainda prefira meu respeitado camarão potiguar.
E se você, caro leitor, me perguntar se ao final dessa aventura eu recomendo o passeio, a resposta é: sim.
Contudo, prepare-se para gastar alguns reais além do planejado, pois em Jeri, praticamente tudo é cobrado. Pagamos R$40 por pessoa para acessar o Buraco Azul e mais R$60 por pessoa na Lagoa do Paraíso, apenas para entrada — valores que não incluem consumação.
Ainda assim, é um passeio peculiar, com um belíssimo pôr do sol à beira-mar e águas azuis e cristalinas que fazem jus à fama do lugar.




































